domingo, 8 de julho de 2012

Algumas observações sobre os funerais de Ronaldo Cunha Lima

Comentário meu acerca do artigo “HISTORIOGRAFIA, MITO POLÍTICO E CONSTRUÇÃO DE MEMÓRIAS”, do Prof. José Luciano Queiroz, publicado no site “De Olho no Cariri”:

Vejo um discurso ufanista da mídia em relação ao ocorrido, seja pelo fato da maioria dos órgãos de comunicação regional serem direta ou indiretamente partidarizados, seja pela ânsia inconsequente por manchetes e audiência. e isso tem contaminado a sociedade paraibana. Se você for ouvir programas de rádio ou ler colunas sobre política de jornais e portais da Paraíba, verá a legitimação do carcomido modelo de se fazer política nesse país, especialmente nesse estado. No entanto, não vejo uma grande contaminação emocional da população. Fui à pirâmide do Parque do Povo, fui também ao Cemitério Nossa Senhora do Carmo, e o que observei entre as milhares de pessoas que passaram por esses lugares, uma parte muito pequena de fato manifestava suas emoções, emoções estas em menor parte provocadas pelo ufanismo dos meios de comunicação, e em maior parte reflexo de pessoas a anos e anos com a mente e as emoções cauterizadas pelo poder de lideranças carismáticas como Ronaldo e Cássio Cunha Lima (mesmo poder observado na relação entre cantores e artistas em geral com seus fãs). Fora essas dezenas de fãs, os milhares que passaram por estes lugares, pelo que observei in loco, foram ali por mera e simples curiosidade provocada principalmente pelos meios de comunicação (estes, como já disse, de alguma forma partidarizados).
Quanto ao sucesso do tema nas redes sociais, eu poderia relatar varias explicações possíveis, fora as já citadas que buscam definir um perfil das multidões que participaram dos funerais de Ronaldo Cunha Lima, talvez todas elas corretas, sendo que uma sozinha não faria o efeito que fez, mais todas somadas provocariam o sucesso do falecido nas redes sociais.
1 – É característica da nossa cultura elogiar e de certa forma prestar culto a mortos, e quando este morto é artista, ou um tipo de liderança carismática então...
2 – A família Cunha Lima (volto a dizer, notabilizada pelas lideranças carismáticas Cássio e Ronaldo), toda ela, tem na Paraíba uma legião de fãs, que alguns ousam chamar de devotos (no entanto creio que estes admiradores não representam parcela considerável da população como um todo. Essas figuras já chegam a  ser folclóricas hoje em dia. Por exemplo, nas imediações do Cemitério Nossa Senhora do Carmo, pessoas riam de uma senhora que gritava e chorava copiosamente).
3 – Também é muito comum em nosso estado o ato de bajular políticos, provocado pela prática dos apadrinhamentos políticos, aos milhares, por intermédio de vínculos empregatícios com o estado que dependem da boa vontade dos agentes eleitos do poder público (por isso o uso da palavra apadrinhamento), prática que, de tão corriqueira, é em certa medida legitimada pelo povo.

No caso das eleições para prefeito em Campina Grande, não acredito que este tipo de eleitor relatado por você seja maioria, nem que seja maioria o tipo de eleitor por voce implicitamente idealizado (refiro-me ao que, por exemplo, chora por razões politicamente corretas). Não me arrisco deduzir, mesmo com as observações cotidianas que faço, o perfil da maioria do eleitorado de Campina Grande, porem penso que na maioria a um sentimento de total descrédito em relação aos políticos, e um clima de desesperança em relação às eleições.